sábado, 24 de setembro de 2011



ESCOLAS CLÁSSICAS I: POSITIVISMO E HISTORICISMO

(Relatório do texto utilizado no primeiro debate)

O objeto em análise no capítulo* é enunciado logo no início: as concepções positivistas nas ciências sociais e a doutrina da neutralidade axiológica do saber. Em seguida, definem-se as três premissas/fundamentos do positivismo, quais sejam: a de que a sociedade é regida por leis, seguido do “naturalismo positivista” e, por fim, de que as ciências das sociedades, tais como as da natureza, podem afastar os juízos de valor, preconceitos e prenotações. Esses três axiomas formam o que é chamado de dimensão positivista da investigação metodológica.

Partindo dessa dimensão, mais precisamente, da neutralidade valorativa das ciências sociais, os  positivistas negam o condicionamento histórico-social, prescindindo-se assim do papel dos vínculos sociais na conformação da sociedade. Dessa forma, seguindo-se suas premissas, abre-se uma lacuna metodológica desde o princípio. Do ideal de uma metodologia objetiva com resultados objetivos se ouvida ou menospreza-se a importância da subjetividade no campo das ciências sociais. E na busca de superar esse elemento, “indesejado” ou “desprezível” – a subjetividade – é construída a idéia de sociologia sob o viés do positivismo. No entanto, o autor busca demonstrar que essa construção é falha e na tentativa de se salvar, argumentativamente, lança – através de seus maiores expoentes – mão do princípio do Barão de Münchhausen, isto é, de se salvar do pântano agarrando-se nos próprios cabelos, aplicando-se ao caso, de salvar o sistema filosófico de seus paradoxos e antinomias – termo inclusive apropriado, uma vez que, pretende-se em um sistema científico segundo leis da natureza –, lançando mão dos mesmos argumentos utilizados em sua construção.

Dessa forma, o autor demonstra como os argumentos contrários à sociologia do conhecimento utilizados pelos positivistas são vazios, uma vez que, além de se fundarem no artifício do Barão, estão carregados de preconceitos e prenotações, ou seja, justamente daquilo de que os positivistas segundo suas premissas rejeitam.

Repassando a evolução das ciências sociais quanto ao papel desempenhado pelos valores e na busca da objetividade, expõe como o dilema entre subjetividade e objetividade, apesar de muito debatido, ainda não foi resolvido, sobretudo, conforme o método positivista, ficando sem resposta a questão de como alcançar a objetividade almejada pelos positivistas: o que fazer com as “impurezas” da subjetividade?

A úlitma proposta para superar o “princípio do Barão”, no tocante a metodologia das ciências históricas, foi elaborada por Mannheim através da busca de um caminho de autoconsciência crítica do pesquisador/cientista para superar o relativismo historicista.

A título de encerramento, o autor conclui que a solução do problema da objetividade científico-social passa pelo momento historicista/relativista, aquele mesmo alcançado por Mannheim, devendo ser superado dialeticamente na perspectiva de uma sociologia crítica do conhecimento.

* LÖWY, Michael. “O positivismo ou o princípio do barão de Münchhausen” e “O historicismo ou a luz prismada”. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. 9ª edição. São Paulo: Cortez, 2009.

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